Observando a Superfície

October 24, 2012

A obsessão por um antídoto
ressoa quase como um lapso,
uma ferramenta inabalável,
capaz de fazer jorrar
nos pés descalços do asfalto,
a síndrome pelo equilíbrio,
momentâneo,
eficaz,
raro,
o mundo basta-me para ter incertezas.

Uma pequeníssima peça teatral incolor,
atravessa – como um verme enlatado há séculos –
os cantos mais cegos da gestação do espaço,
onde atamos nossas redes frágeis, indefensáveis,
restos de estranhas correntes de pano,
ruidosas máquinas de estampa de invisibilidades,
uma risível fração de segundos é capaz de desmanchar toda a estrutura erguida pelo tempo, com suor e destreza e ainda afogar, com ancoras feiras de asas, a trágica certeza do que somos.

Poema de: Júlio Siqueira – Manifestos Invisíveis

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